domingo, 24 de outubro de 2010

O Elvis que muitos não conhecem



O Casal Vernon Elvis Pressley e Gladys Love Smith Pressley tem dois filhos gêmeos. O mais Velho, Jesse Garon, Nasce morto às 4 da manhã; o segundo, Elvis Aaron, chega vivo e muito bem disposto, 35 minutos depois. O cenário é a pequena cidade East Tupelo no estado do Mississippi.

Em 1940 Elvis entra na escola primária Consolidated. E começa a freqüentar cultos da primeira Assembléia de Deus. Em 1943 Elvis participa de um concurso na feira agropecuária de sua cidade e tira o segundo lugar com a canção "Old Shep" de Red Foley. Em 1946 Elvis Ganha o primeiro violão e aprende os primeiros acordes com seu tio Vester e tenta reproduzir o que ouve nas rádios.

Pode-se dizer que Elvis foi decisivamente influenciado por um estilo musical então no apogeu: a música gospel do sul dos EUA, cuja expressão máxima foram os quartetos The Statesman e Blackwood Brothers, além da lenda J.D.Summer. Já no auge do sucesso, o astro contratou o quarteto gospel The Jordanaires para acompanhá-lo no backing vocal. A escolha teve tanto razões pessoais quanto técnicas. Elvis confessava-se fã do grupo e sonhava ter seu próprio quarteto. Além disso, pesou na decisão a fé dos integrantes. Junto com os Jordanaires, Elvis passava horas de puro êxtase afiando o vozeirão com música sacra. Mas foi em 1957 que Elvis começou a dar vazão artística à sua espiritualidade, gravando o compacto duplo Peace in the valley (“Paz no vale”), tendo em seu repertório quatro hinos religiosos tradicionais. Na época, a gravadora RCA Victor ficou contrariada, mas não quis entrar em atrito com seu maior astro.
Peace in the valley era a canção preferida de Gladys, a mãe de Elvis, morta em 1958. O jovem artista, então com 23 anos de idade, viu-se de uma hora para outra sem chão – a mãe foi a mais decisiva influência pessoal e espiritual de toda a sua vida. Foi ela que o levou a dar os primeiros passos na fé cristã e o incentivou a passar pelo batismo nas águas. A proximidade entre ambos foi ainda mais intensa pelo fato de Elvis ser filho único, já que seu irmão gêmeo, Jesse, não sobreviveu ao parto. Boa parte dos biógrafos do cantor atribuem à morte de Gladys o trauma que acabou levando-o à decadência, duas décadas mais tarde. As imagens do sepultamento da mãe registram as cenas mais pungentes do ídolo, com o olhar perdido e abraçado ao pai, Vernon, à beira do túmulo. A orfandade prematura acentuou ainda mais a solidão que Elvis nunca conseguiu superar. Ele jamais se recuperou da perda da mãe.
Se no íntimo Elvis nutria sentimentos que o aniquilavam, tais fantasmas jamais interferiram na sua genialidade. A forma como se preparava para as sessões de gravação e as apresentações era um tanto inusitada. Nos intervalos, para manter o aquecimento da voz, ele e sua banda só entoavam canções evangélicas. Uma performance durante a interpretação de Peace in the valley no programa de Ed Sullivam gerou controvérsia nacional – como aceitar que um moço mundano daqueles cantasse hinos de louvor a Deus? Certa ocasião, um executivo da RCA ficou encarregado de comandar algumas rodadas de gravações em substituição ao produtor de Elvis, Steve Sholes, que ficara doente. Quando a trupe começou a entoar gospel no estúdio, o executivo interrompeu a farra. Disse que aquele não era momento para brincadeiras, mas sim de trabalho duro, pois a hora do estúdio era muito cara. Irritado, o astro chamou seus acompanhantes e abandonou a gravação. Resultado: o executivo foi demitido e, novamente com Sholes, Elvis Presley continuou fazendo o que mais gostava: cantar gospel com seus amigos.
Mesmo já tendo alcançando o estrelato, Elvis alimentava o sonho de gravar um álbum inteiro só de músicas religiosas. Em 1960 ele bancou a idéia, sob a reprovação de seu empresário Tom Parker e de sua gravadora, que temia o risco de prejuízos financeiros. Assim nasceu o LP His hand in mine (“Sua mão sobre mim”), produzido e supervisionado pelo próprio Elvis, para quem o álbum era uma homenagem à sua mãe. Com uma referência que lhe era tão cara, o artista devotou ao disco todo o seu talento. Ele próprio selecionou as músicas e participou de todos os arranjos e direção musical. Aquele era o seu disco, e Elvis não permitiu ingerência de ninguém. O resultado foi, nas suas próprias palavras, “um trabalho de amor”. Na verdade, foi muito mais que isso. His hand is mine se transformou num enorme sucesso, a ponto de Elvis ter afirmado que aquele havia sido o trabalho do qual sentia mais orgulho.
Ao mesmo tempo que influenciava o público com as mensagens cristãs de suas músicas, Elvis Presley vivia numa dicotomia, pois seu comportamento e atitudes eram consideradas profanos demais. Em pouco tempo, atraiu a oposição enfurecida da Igreja da época. Pais protestantes, escandalizados com aquela “dança do demônio”, proibiam seus filhos de assisti-lo ou mesmo ouvir suas canções pelo rádio. Pastores estimulavam os fiéis a queimar os discos em praça pública. Por volta de 1967, a carreira de Elvis deu uma guinada para baixo.
Elvis foi alertado por seus agentes de que estava numa encruzilhada: ou optava por uma mudança ou poderia precipitar o fim de sua carreira. Sua resposta foi a produção do magnífico How great thou art, outro disco gospel. Sua interpretação do célebre cântico cristão é considerada perfeita. O sucesso foi tanto que Elvis ganhou o seu primeiro prêmio Grammy, o oscar da música, por este trabalho. Era a volta por cima do rei do rock, curiosamente alavancado por um álbum de temática estritamente religiosa. Em 1967 passou a viver grande parte do templo recluso em Graceland, sua mansão cinematográfica em Memphis, ignorando a idolatria que o mundo lhe devotava – sentimento que, aliás, ele sempre fez questão de desestimular. “O único rei que existe é Jesus Cristo”, dizia aos fãs mais afoitos.

Elvis morreu em Graceland no dia 16 de agosto de 1977. A notícia chocou o mundo e provocou comoção nacional nos Estados Unidos.

Discografia gospel
Elvis Presley gravou 11 discos de música gospel ao longo de sua carreira, entre compactos e LPs, além das dezenas de álbuns produzidos após a sua morte.

Peace in the valley (1967) – Compacto duplo
His hand in mine (1960) – Álbum
Criyng in the chapel /I believe in the Man in the sky (1965) – Single
Joshua fit the battle/Know only to Him (1966) – Single
Milky White way/Swing down Sweet Chariot (1966) – Single
How greath thou art (1967) – Álbum
You’ll never walk alone/ We call on Him (1968) – Single
His hand in mine/How great thou art (1969) – Single
He touched me (1972) – Álbum
He touched me/Boson of Abraham (1972) – Single
If you talk in your sleep/Help me (1974) – Single

Fonte: http://www.eclesia.com.br/revistadet1.asp?cod_artigos=232

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